quarta-feira, agosto 20, 2008


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Como as folhas que caem devagar
nas estonteantes tardes outonais
em que transfiguro-me louca e cores
deslize sua língua em minhas costas
abra-me polpa aos seus lábios úmidos
repouse suas mãos em minhas nádegas
alisa-me delicadamente ao seu furor
conceda ao meu corpo o delírio
das aves a brincar no terreno arenoso,
festa no entardecer de nossas taras.
Provoque a menor alegria que eu possa sentir
quando sua pele a minha toca e enternece
toda a febre que tenho meio as pernas.
Insira em meu sexo seus ágeis dedos
na criação de uma nova melodia,
indecente ritmo na harmonia perfeita.
E se eu gemer diferente acorde
escute, prove e recomece o arranjo.
Inove em minhas virilhas o prazer,
em meus lábios assanhe o desejo,
desafiante versão de novas brincadeiras.
Sou sua única mulher, terna, morna,
vadia doçura ao seu paladar, suga-me.
E no silêncio de uma exaustão tamanha
derrame dentro do meu corpo trêmulo
a força de todas as estações,
crava-me sua raiz, seu gozo.
Sou terreno à espera,
caía na maciez de minha carne
e nela faça morada.

Eliane Alcântara.

2 comentários:

Anônimo disse...

Ola Eliane que lindo poema, quando o estava a ler paraece q tava sentindo td o vc escrevia kkkkkkkkkkk mt lindo parabens bjssssssss

Fernando Rozano disse...

poesia, palavras, encontro pleno, estonteante e ao mesmo tempo renovador da carne e do espírito. há alma em cada verso, sentido e vivido. belo, Eliane. beijo.